Amor no caos do punk
Autor: Dimi | 26/08/2025 | Categoria: Romance
O som das guitarras ecoava no bairro alto de Lisboa, naquela noite húmida de sexta-feira. O bar estava lotado, paredes cobertas de cartazes de bandas e cheiro a cerveja barata misturado com fumo.
Rui, cabelo espetado em crista verde, jurara a todos que nunca se deixaria prender por ninguém. Para ele, o punk era liberdade, e liberdade não rimava com compromisso.
Do outro lado da sala, Inês, com a jaqueta cheia de patches e botas gastas, dizia às amigas que namoro era coisa de gente careta. Preferia viver entre concertos, suor e o grito das canções.
O destino, porém, tinha planos diferentes.
Quando a banda começou a tocar mais alto, alguém empurrou Rui contra Inês. O choque foi seco, um tropeço quase violento, seguido de gargalhadas involuntárias.
— Olha por onde andas! — ela gritou, mas não havia raiva, apenas ironia.
— Estava a tentar dançar… — ele respondeu, fingindo seriedade.
Os dois riram, e de repente estavam lado a lado, no meio da roda punk, batendo ombros com desconhecidos.
Cada refrão parecia aproximá-los. Os olhos encontravam-se entre o caos, e havia algo ali que nenhum admitiria.
No intervalo, partilharam uma cerveja.
— Não penses que isto é um encontro — ela disse.
— Claro que não, odeio encontros — ele respondeu, tentando esconder o sorriso.
Mas as mãos roçaram-se, e ficaram juntas, sem ninguém puxar primeiro.
O concerto terminou com gritos de “mais uma!”. Do lado de fora, sob a luz amarela dos candeeiros, Rui acendeu um cigarro e ofereceu a Inês.
— Sabes, sempre disse que não ia namorar — ela murmurou.
— Eu também. Mas… se for contigo, pode ser a exceção.
Ela riu, mordeu-lhe o lábio, e Lisboa pareceu cantar mais alto do que qualquer banda punk naquela noite.